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A primeira plenária do evento “80 anos do Serviço Social: uma profissão inscrita no Brasil” contou com a participação da professora doutora Izabel Cristina Dias Lira. Ela discutiu o tema “Trabalho, questão social e serviços sociais: Precarização do trabalho e processo de terceirização”. O debate ocorreu na última sexta-feira (13/05) em Cuiabá, e integrou a programação do evento promovido pelo Conselho Regional de Serviço Social (CRESS-MT) em alusão ao dia do Assistente Social, celebrado em 15 de maio.

A doutora iniciou a plenária transcorrendo sobre as mudanças ocorridas “nos processos de trabalho ao longo de determinado período historio até hoje e, também, as consequências dessas mudanças na organização do trabalho, na organização da produção dentro do modo de produção capitalista e, também na própria esfera da reprodução social onde estão o Estado e a sociedade, além do nosso exercício profissional”.

Na sequência, ela destacou as consequências do processo de terceirização e a precarização do trabalho. Izabel explicou que a terceirização é a “flexibilização na qual você tem várias unidades que se articulam, mas cada uma faz parte do processo como um todo de produção”. Ela afirma que a precarização dos vínculos proveniente da terceirização é inevitável. “Significa, por exemplo, se houver um acidente você tem que dar conta porque não tem essa relação com o INSS”, exemplificou.

De acordo com a doutora, a qualidade dos serviços prestados fica comprometida porque o profissional fica em situação constante de instabilidade devido a precarização das relações de trabalho. “Até mesmo o projeto da categoria profissional ético-político fica comprometido porque você vai se realizar uma intervenção não com a qualidade que deveria ter. Isso termina provocando deficiências muito sérias que, inclusive, atinge o próprio profissional e o próprio usuário das políticas, que o procura para realizar o encaminhamento de acesso a os direitos sociais que ele tem”, disse Izabel.

Para a professora doutora, o mercado de trabalho para o assistente social em Mato Grosso está expandindo, mas ainda é insuficiente para absorver a quantidade de profissionais que se formam atualmente. “Do ponto de vista das condições de relações de trabalho, nós temos problemas da mesma forma como outros estados. Mas, que tipo de problemas? Existe em processo uma série de encaminhamentos na esfera municipal que inclusive tem boa parte dos seus quadros profissionais na nossa área terceirizados da seguinte maneira: contratos temporários extremamente precários com influência política. Na esfera estadual temos a não abertura de concursos, a aposentadoria de uma séria de profissionais e a não reposição. Ou seja, o quadro se reduz, o número de atividade duplica, e as demandas também estão cada vez maiores”, afirmou.

Izabel aponta que, devido à retração das políticas, na maioria das esferas governamentais ocorre o movimento de inflexão, diminuição e manutenção do mínimo no quadro.  “Só que, como as demandas estão aumentando muito, está gerando uma séria de problemas não só com relação à qualidade, como também no tipo de atendimento que é feito na área de saúde, no judiciários, etc”, finalizou.

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